|
Este projeto tem enorme alcance social e humanístico. O incesto é um problema de Saúde Pública. O combate ao abuso e à exploração sexual necessita ser iniciado na sua base: a família e primordialmente na família incestuosa. O projeto visa atender a orientação transcrita abaixo (SEDH, 2009):
Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes
A violência sexual contra crianças e adolescentes é um problema mundial. Por ser ilegal, clandestina e em grande parte doméstica, é uma questão ainda pouco visível e difícil de ser qualificada, o que dificulta a responsabilização dos agressores. O mais freqüente tipo de violência a que estão sujeitas crianças e adolescentes é aquele denominado estrutural, em função da precária situação sócio-econômica das famílias das quais grande parte das crianças e adolescentes vítimas se originam.
A defesa dos direitos e a proteção de crianças e adolescentes vítimas de violência e exploração sexual vêm sendo promovidas mediante ações integradas com as áreas de educação, saúde, cultura e justiça, visando à reintegração social e ao retorno da criança ou adolescente ao convívio da família e da comunidade (SEDH, 2009).
O Projeto chama a atenção para a violência doméstica, onde o incesto está inserido. Enfatiza, também, a violência estrutural. Quem vai à fonte bebe água limpa. Precisamos limpar as fontes (famílias) de onde emergem a população brasileira. A relevância maior deste projeto é ir à fonte, na origem da produção dos elementos fundamentais que alimentam o aparecimento dos ofensores sexuais: A família incestuosa. Se a violência sexual é um problema ilegal e clandestino o abuso incestuoso é muito mais, por tratar-se de um tabu guardado nas famílias a sete chaves. A falta de conhecimento e o temor de entrar nos segredos das famílias têm atrasado este importante meio de prevenção em Saúde Mental.
O atendimento da família é o meio terapêutico mais operativo, barato e humano. Outro dado relevante é o número de pessoas atendidas ao mesmo tempo, devolvendo à sociedade pessoas capacitadas a impedir o desastroso sistema que fomenta o abuso sexual. Muitos dos abusadores foram abusados em sua infância e na sua própria família. Delas saem os futuros abusadores: pais incestuosos e pedófilos. E delas saem, também, pessoas passivas que se submeterão, com maior facilidade, aos abusos sexuais propostos.
E este círculo vicioso é o que promove a exploração sexual da infância. Ou seja, da própria família estimula e leva crianças para a rua, com seus corpos ainda não desenvolvidos, e oferecidos como mercadoria pelos próprios pais. Este fato é muito observado nas praias de algumas cidades do nordeste. Aqui, em grande parte, se insere o turismo sexual infantil.
As famílias que retomam a sua funcionalidade representam um grupo saudável de pessoas que irão interferir no seu âmbito de convivência apoiando e ajudando outras famílias a compreenderem o funcionamento patológico de muitas delas. Elas constituirão fatores multiplicadores para a prevenção do abuso sexual contra as crianças e adolescentes.
|